Repositório ISMT
REPOSITÓRIO ABERTO
Instituto Superior Miguel Torga
O REPOSITÓRIO ABERTO do ISMT é um repositório institucional de acesso aberto das publicações produzidas pela sua comunidade académica.
Neste REPOSITÓRIO, criado em julho de 2013, podem ser consultados dissertações, teses, artigos, comunicações, pósteres e outro material de divulgação cientifica
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Satisfação Acadêmica e Procrastinação Acadêmica em Universitários Brasileiros: papel mediador dos motivos para procrastinar
(Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-29) Rosa, Calebe Mattos Garcia da; Cabral, João Carlos Centurion; Veleda, Gessyka Wanglon; Neiva-Silva, Lucas
Contexto: A procrastinação acadêmica é um padrão de adiamento não estratégico de tarefas acadêmicas, frequentemente associado a menor autorregulação e pior adaptação ao ensino superior. Objetivo: Examinar a associação entre satisfação acadêmica e procrastinação acadêmica, bem como o papel mediador das motivações para procrastinar, em estudantes de graduação e pós graduação. Método: Participaram 1.137 estudantes brasileiros (81% de graduação; 19% de pós-graduação), que responderam a um levantamento online composto pelo Inventário Breve de Procrastinação Acadêmica, pela Escala de Motivos da Procrastinação Acadêmica e pela Escala de Satisfação com a Vida Acadêmica. As associações foram examinadas por modelos de regressão e mediação. Resultados: A satisfação acadêmica associou-se significativamente à procrastinação acadêmica, explicando aproximadamente 14% da variância em estudantes de graduação e 19% em estudantes de pós-graduação. As motivações para procrastinar — particularmente ansiedade, preguiça, percepção de incapacidade, cansaço e perfeccionismo — atuaram como mediadores estatísticos parciais dessa associação, embora uma parte expressiva da associação tenha permanecido direta. Conclusões: Os achados sugerem que a satisfação acadêmica e as motivações para procrastinar constituem dimensões relevantes para compreender a procrastinação no ensino superior. Estratégias institucionais orientadas para a melhoria da experiência acadêmica e para a autorregulação das tarefas poderão contribuir para reduzir tendências procrastinatórias em estudantes de graduação e pós-graduação. | Background: Academic procrastination is a pattern of non-strategic task postponement associated with lower self-regulation and poorer adjustment to higher education. Objective: To examine the association between academic satisfaction and academic procrastination, as well as the mediating role of procrastination motives, in undergraduate and graduate students. Method: A total of 1,137 Brazilian students participated (81% undergraduate; 19% graduate) in an online survey comprising the Brief Inventory of Academic Procrastination, the Academic Procrastination Motives Scale, and the Academic Life Satisfaction Scale. Associations were examined using regression and mediation models. Results: Academic satisfaction was significantly associated with academic procrastination, accounting for approximately 14% of its variance among undergraduate students and 19% among graduate students. Procrastination motives—particularly anxiety, laziness, perceived inability, fatigue, and perfectionism—partially mediated this association, although a substantial proportion of the association remained direct. Conclusions: The findings suggest that academic satisfaction and procrastination motives are relevant dimensions for understanding procrastination in higher education. Institutional strategies aimed at improving the academic experience and fostering task self-regulation may contribute to reducing procrastinatory tendencies among undergraduate and graduate students.
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Preditores Psicossociais e Sociodemográficos da Autoestima em Homens que Fazem Sexo com Homens: um estudo transversal em Porto Alegre, Brasil
(Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-27) Rocha, Kátia Bones; Hamman, Cristiano; Pizzinato, Adolfo
Contexto e Objetivo: O presente estudo transversal teve como objetivo examinar a associação entre autoestima e indicadores psicossociais — saúde mental, apoio social autopercebido e clima familiar — em homens que fazem sexo com homens (HSH). Método: Participaram 246 homens adultos (Midade = 27,78; DP = 8,23; amplitude 18–60 anos), recrutados por amostragem de conveniência em um Centro de Testagem e Aconselhamento em Porto Alegre, Brasil, no contexto da testagem rápida de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Os participantes responderam à Escala de Autoestima de Rosenberg, ao Questionário Geral de Saúde de Goldberg (GHQ-12), à Escala de Apoio Social do Medical Outcomes Study (MOS-SSS) e ao Inventário do Clima Familiar (ICF). Foram realizadas análises descritivas, correlações de Spearman e regressão linear múltipla. Resultados: O modelo de regressão explicou 50,3% da variância da autoestima. Pontuações mais elevadas no GHQ-12, indicativas de pior saúde mental, associaram-se a menor autoestima (β = −0,58; p < 0,001), enquanto maior apoio social emocional (β = 0,20; p < 0,001), maior idade (β = 0,13; p = 0,018) e mais escolaridade (β = 0,13; p = 0,018) se associaram a maior autoestima. Conclusões: Os achados destacam a relevância da saúde mental e do apoio social emocional enquanto recursos psicossociais associados à autoestima em HSH e sustentam o desenvolvimento de intervenções psicossociais que promovam redes de suporte afetivo e emocional, com particular atenção aos homens mais jovens. | Background and Objective: The present cross-sectional study aimed to examine the association between self-esteem and psychosocial indicators — mental health, perceived social support, and family climate — among men who have sex with men (MSM). Method: A total of 246 adult men (Mage = 27.78; SD = 8.23; range: 18–60 years) were recruited by convenience sampling at a Counseling and Testing Center in Porto Alegre, Brazil, in the context of rapid testing for HIV and other sexually transmitted infections. Participants completed the Rosenberg Self-Esteem Scale, the General Health Questionnaire (GHQ-12), the Medical Outcomes Study Social Support Survey (MOS-SSS), and the Family Climate Inventory (FCI). Descriptive analyses, Spearman correlations, and multiple linear regression were conducted. Results: The regression model accounted for 50.3% of the variance in self-esteem. Higher GHQ12 scores, indicative of poorer mental health, were associated with lower self-esteem (β = −.58, p < .001), whereas higher emotional social support (β = .20, p < .001), older age (β = .13, p = .018), and higher educational attainment (β = .13, p = .018) were associated with higher self-esteem. Conclusions: Findings underscore the relevance of mental health and emotional social support as psychosocial resources associated with self-esteem among MSM and support the development of psychosocial interventions that strengthen affective and emotional support networks, with particular attention to younger men.
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Child Temperament Profiles and Maternal Parenting Practices in Brazilian Mother Child Dyads: a cluster-analytic study with children aged 3 to 11 years
(Departamento de Investigação & Desenvolvimento do Instituto Superior Miguel Torga, 2026-05-27) Reis, Henrique Lima; Lunkes, Stefany; Gama, Marina de Carvalho; Coltro, Beatriz Pires; Paraventi, Larissa; Souza, Carolina Duarte de; Vieira, Mauro Luis
Background and Aim: Child temperament and parenting are reciprocally linked, yet evidence from Brazilian and Latin American contexts remains limited. This study examined associations between maternal parenting practices and child temperament in Brazilian families with children aged 3 to 11 years. Method: This quantitative, cross-sectional study used a comparative and person-centered analytic approach. A total of 229 mothers completed questionnaires assessing parenting dimensions (Coregulation, Positive Reinforcement Discipline, and Coercion) and child temperament (Surgency/Extraversion, Negative Affectivity, and Effortful Control). Hierarchical cluster analysis was used to derive temperament profiles. Results: No statistically significant sex differences emerged for temperament or maternal parenting dimensions. Hierarchical cluster analysis identified four temperament profiles. Maternal Coregulation and Positive Reinforcement Discipline did not differ significantly across profiles. In contrast, maternal Coercion differed significantly, with a small effect size; the highest Coercion scores occurred in the profile characterized by elevated Negative Affectivity and elevated Effortful Control. Conclusions: The findings are consistent with a transactional, profile-based interpretation of temperament–parenting associations and suggest that specific temperament configurations may be more informative for understanding coercive than supportive maternal practices. The results may inform culturally sensitive and developmentally differentiated parenting interventions in Brazilian contexts. | Contexto e Objetivo: O temperamento infantil e a parentalidade estão reciprocamente vinculados; no entanto, as evidências provenientes dos contextos brasileiro e latino-americano ainda são limitadas. Este estudo examinou associações entre práticas parentais maternas e temperamento infantil em famílias brasileiras com crianças de 3 a 11 anos. Método: Este estudo quantitativo e transversal utilizou uma abordagem analítica comparativa e centrada na pessoa. Ao todo, 229 mães responderam a questionários que avaliaram dimensões das práticas parentais (Corregulação, Disciplina por Reforço Positivo e Coerção) e do temperamento infantil (Surgência/Extroversão, Afetividade Negativa e Controle com Esforço). A análise hierárquica de clusters foi utilizada para derivar perfis de temperamento. Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas em função do sexo nas dimensões do temperamento ou das práticas parentais maternas. A análise hierárquica de clusters identificou quatro perfis de temperamento. A Corregulação e a Disciplina por Reforço Positivo maternas não diferiram significativamente entre os perfis. Em contraste, a Coerção materna diferiu significativamente, com tamanho de efeito pequeno; os escores mais elevados de Coerção ocorreram no perfil caracterizado por Afetividade Negativa elevada e Controle com Esforço elevado. Conclusões: Os achados são consistentes com uma interpretação transacional e baseada em perfis das associações entre temperamento e parentalidade, e sugerem que configurações específicas de temperamento podem ser mais informativas para compreender práticas maternas coercitivas do que práticas maternas de suporte. Os resultados podem subsidiar intervenções parentais culturalmente sensíveis e diferenciadas em termos desenvolvimentais nos contextos brasileiros.
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Quando Arde Cá Dentro: Burnout e vulnerabilidade ao stress em bombeiros
(ISMT, 2025-12) Oliveira, Nuno Manuel Bárbora de; Santos, Diamantino (Orientador)
O combate a incêndios expõe os/as bombeiros/as a esforço físico extremo, condições ambientais adversas, riscos elevados e elevada carga emocional, com impacto na saúde física e psicológica. Nestas operações, o stress contínuo, a pressão para salvar vidas e bens, o contacto com cenários de destruição e vítimas, e a eventual perda de colegas podem gerar consequências emocionais duradouras. Este estudo transversal de natureza quantitativa, tem como objetivos estudar numa amostra de bombeiros a prevalência da síndrome de burnout, vulnerabilidade ao stress e a sua relação com alguns fatores psicossociais. Participaram nesta investigação oitenta bombeiros/as em exercício de funções na região centro de Portugal, aos quais foram aplicados três instrumentos: questionário sociodemográfico, Questionário de Vulnerabilidade ao Stress e o Copenhagen Burnout Inventory. Os resultados confirmam a estrutura multidimensional do fenómeno de burnout. Verificou-se uma associação significativa entre a vulnerabilidade ao stress e todas as dimensões do burnout, enquanto a variável Idade evidenciou um efeito protetor. Por sua vez, a variável Sexo mostra que, embora os sintomas de exaustão sejam semelhantes entre sexos, o sexo feminino apresenta maiores vulnerabilidades psicossociais que podem contribuir para o desenvolvimento do burnout. Estes dados salientam a necessidade de implementação de estratégias preventivas integradas e reforçam a relevância de estudos longitudinais que permitam aprofundar a compreensão do fenómeno e contribuir para a proteção e bem-estar destes profissionais. Como principal limitação, a natureza transversal do estudo e a amostra de conveniência restringem a generalização dos resultados. | Firefighting exposes firefighters to extreme physical effort, adverse environmental conditions, high risks, and a heavy emotional load, all of which impact both physical and psychological health. During these operations, continuous stress, pressure to save lives and property, exposure to scenes of destruction and victims, and the potential loss of colleagues can generate lasting emotional consequences. This cross-sectional quantitative study aims to examine, in a sample of firefighters, the prevalence of burnout syndrome and stress vulnerability, as well as their relationship with certain psychosocial factors. Eighty active firefighters from the central region of Portugal participated in this research. Three instruments were used: a sociodemographic questionnaire, the Stress Vulnerability Questionnaire, and the Copenhagen Burnout Inventory. The results confirm the multidimensional structure of the burnout phenomenon. A significant association was found between stress vulnerability and all dimensions of burnout, while age appeared to have a protective effect. Regarding gender, results indicate that although symptoms of exhaustion are similar in both sexes, female firefighters display greater psychosocial vulnerabilities that may contribute to the development of burnout. These findings highlight the need for the implementation of integrated preventive strategies and reinforce the importance of longitudinal studies to deepen the understanding of this phenomenon and promote the protection and well-being of these professionals. As a main limitation, the cross-sectional design and convenience sampling restrict the generalization of the results.
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A Influência do Estilo de Vinculação no Desenvolvimento da Psicopatia: uma revisão sistemática
(ISMT, 2026-03) Roxo, João Bernardo Marques; Becker, Joana (Orientadora)
A psicopatia é um construto amplamente estudado na psicologia e na psiquiatria forense, caracterizado por traços interpessoais, afetivos e comportamentais como instabilidade emocional, manipulação e comportamentos antissociais persistentes. A complexidade deste fenómeno reside não só na sua expressão clínica, mas também nas implicações sociais e jurídicas que acarreta. A teoria da vinculação oferece um enquadramento conceptual pertinente para compreender de que forma as experiências relacionais precoces poderão influenciar a organização emocional e interpessoal associada à psicopatia. O presente estudo teve como objetivo analisar, através de uma revisão sistemática da literatura, a relação entre os estilos de vinculação e o desenvolvimento da psicopatia e manifestação de traços psicopáticos, procurando identificar padrões consistentes que contribuam para uma melhor compreensão etiológica do construto. Para tal, foram consultadas as bases de dados ScienceDirect, EBSCO, PubMed e APA PsycArticles. O descritor utilizado na pesquisa foi “attachment theory and psychopathy”. Inicialmente, foram identificados 513 artigos. Após a leitura dos títulos e resumos e a exclusão dos duplicados, 35 estudos foram selecionados para análise. Os resultados sugerem a existência de associações entre padrões de vinculação inseguros e manifestação de traços psicopáticos, destacando a importância das experiências relacionais precoces no desenvolvimento de padrões emocionais e interpessoais disfuncionais. Estes resultados contribuem para uma melhor compreensão da etiologia da psicopatia e reforçam a relevância da teoria da vinculação como enquadramento explicativo neste domínio. | Psychopathy is a widely studied construct in psychology and forensic psychiatry, characterized by interpersonal, affective, and behavioral traits such as emotional instability, manipulation, and persistent antisocial behaviors. The complexity of this phenomenon lies not only in its clinical expression but also in the social and legal implications it entails. Attachment theory offers a relevant conceptual framework for understanding how early relational experiences may influence the emotional and interpersonal organization associated with psychopathy. The present study aimed to analyze, through a systematic literature review, the relationship between attachment styles and both the development of psychopathy and the manifestation of psychopathic traits, seeking to identify consistent patterns that contribute to a better etiological understanding of the construct. To this end, the databases ScienceDirect, EBSCO, PubMed, and APA PsycArticles were consulted. The search term used was “attachment theory and psychopathy.” Initially, 513 articles were identified. After reviewing the titles and abstracts and excluding duplicates, 35 studies were selected for analysis. The results suggest the existence of associations between insecure attachment patterns and the manifestation of psychopathic traits, highlighting the importance of early relational experiences in the development of dysfunctional emotional and interpersonal patterns. These findings contribute to a better understanding of the etiology of psychopathy and reinforce the relevance of attachment theory as an explanatory framework in this field.