Repositório ISMT

REPOSITÓRIO ABERTO

Instituto Superior Miguel Torga

O REPOSITÓRIO ABERTO do ISMT é um repositório institucional de acesso aberto das publicações produzidas pela sua comunidade académica.

Neste REPOSITÓRIO, criado em julho de 2013, podem ser consultados dissertações, teses, artigos, comunicações, pósteres e outro material de divulgação científica

 

Biblioteca Carlos Amaral Dias

 

Entradas recentes

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(Re)Escrever a Imagem Corporal: uma análise mediacional da fusão cognitiva na relação entre imagem corporal positiva e sintomatologia emocional
(ISMT, 2026-07) Gonçalves, Ana Inês Oliveira; Simões, Joana (Orientadora)
Contexto: A imagem corporal positiva tem emergido como um importante indicador de saúde mental, associando-se a maior bem-estar e menor sintomatologia emocional negativa. Embora o apreço corporal constitua um indicador da imagem corporal positiva e os discursos positivos acerca do corpo se associem a experiências corporais positivas, permanecem pouco compreendidos os processos psicológicos subjacentes a estas associações. A fusão cognitiva relacionada com a imagem corporal tem sido associada a maior sintomatologia emocional negativa. Contudo, o seu papel na relação entre indicadores positivos de imagem corporal e ajustamento emocional, particularmente no caso dos discursos positivos acerca do corpo, continua superficialmente conhecido. Objetivo: Analisar o papel mediador da fusão cognitiva relacionada com a imagem corporal na associação dos discursos positivos acerca do corpo e do apreço corporal com a sintomatologia depressiva e ansiosa em adultos portugueses, explorando ainda diferenças entre sexos. Métodos: A amostra integrou 248 adultos portugueses, entre os 18 e os 65 anos. Os participantes preencheram um protocolo online composto pela Body Talk Scale, Body Appreciation Scale-2, Cognitive Fusion Questionnaire – Body Image e as subescalas de depressão e ansiedade da Depression, Anxiety and Stress Scale – 21 itens. Realizaram-se estatísticas descritivas, testes t para amostras independentes, correlações de Pearson e análises de trajetórias. Resultados: Verificaram-se diferenças significativas entre sexos apenas na fusão cognitiva com a imagem corporal, superior nas mulheres. O modelo apresentou excelente ajustamento aos dados empíricos e revelou mediação significativa. Os efeitos dos discursos positivos acerca do corpo na sintomatologia depressiva e ansiosa foram totalmente mediados pela fusão cognitiva com a imagem corporal, enquanto o apreço corporal apresentou efeitos diretos e indiretos, sugerindo mediação parcial. Conclusão: Os resultados parecem indicar que a fusão cognitiva relacionada com a imagem corporal constitui um processo relevante na associação entre indicadores positivos da imagem corporal e a sintomatologia emocional negativa. Os diferentes padrões de mediação sugerem que estes indicadores poderão atuar através de mecanismos distintos. Estes achados contribuem para uma melhor compreensão da relação entre imagem corporal positiva e saúde mental, reforçando a importância de intervenções que promovam imagem corporal positiva e flexibilidade psicológica. | Background: Positive body image has emerged as an important indicator of mental health, being associated with greater well-being and lower levels of emotional distress. Although body appreciation is considered a key indicator of positive body image and positive body talk has been associated with more positive body-related experiences, the psychological processes underlying these associations remain poorly understood. Body image-related cognitive fusion has been associated with higher levels of negative emotional symptoms. However, its role in the relationship between positive body image related indicators and emotional adjustment, particularly in the case of positive body talk, remains poorly understood. Objective: To examine the mediating role of body image-related cognitive fusion in the association of positive body talk and body appreciation with depressive and anxiety symptoms in Portuguese adults, while also exploring sex differences. Methods: The sample comprised 248 Portuguese adults aged 18 to 65 years. Participants completed na online assessment protocol comprising the Body Talk Scale, Body Appreciation Scale-2, Cognitive Fusion Questionnaire – Body Image and the depression and anxiety subscales of the Depression, Anxiety, and Stress Scale – 21 items. Descriptive statistics, independent-samples t-tests, Pearson correlations and path analysis were conducted. Results: Significant sex differences were observed only in body image-related cognitive fusion, with higher scores among women. The model demonstrated an excellent fit to the empirical data and revealed a significant mediation effect. The effects of positive body talk on depressive and anxiety symptoms were found to be fully mediated by body image related cognitive fusion, whereas body appreciation showed both direct and indirect effects, suggesting partial mediation. Conclusion: The findings suggest that body image-related cognitive fusion is a relevant process in the association between positive body image-related indicators and negative emotional symptomatology. The different mediation patterns suggest that these constructs may operate through distinct mechanisms. These findings contribute to a better understanding of the relationship between positive body image and mental health, reinforcing the importance of interventions that simultaneously promote positive body image and psychological flexibility.
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A Influência da Sensibilidade ao Processamento Sensorial na Autocompaixão e na Compaixão para com os Outros
(ISMT, 2026-07) Ferreira, Tatiana Cristina Dias; Pires, Cláudia (Orientadora)
A sensibilidade ao processamento sensorial (SPS) é um traço temperamental caracterizado por uma maior profundidade de processamento dos estímulos, elevada reatividade emocional e sensibilidade interpessoal acrescida. Apesar dos avanços na investigação sobre este construto, a sua relação com os processos compassivos — nomeadamente a autocompaixão e a compaixão pelos outros — permanece pouco explorada. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre a SPS, a autocompaixão e a compaixão pelos outros, bem como explorar o papel preditivo da SPS nestas variáveis e respetivas dimensões. A amostra foi constituída por 430 adultos da população portuguesa (76.7% mulheres), com idades compreendidas entre os 18 e os 78 anos (M = 31.46; DP = 13.99). As pessoas participantes responderam a um questionário online que incluía a Escala de Sensibilidade ao Processamento Sensorial — Versão Revista (HSPS-R), e as Escalas de Motivação e Ação Compassiva (CMAS), nas suas versões de autocompaixão e de compaixão em relação aos outros. Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas nos níveis de SPS e de compaixão pelos outros em função do género, com as mulheres a apresentarem valores mais elevados em ambas as variáveis. Verificaram-se ainda correlações significativas entre a SPS e as dimensões da compaixão em relação aos outros — intenção (r = .29, p < .001), tolerância ao sofrimento (r = .18, p < .001) e ação (r = .12, p < .05) — bem como entre a SPS e a intenção da autocompaixão (r = .28, p < .001). As análises de regressão linear hierárquica confirmaram o papel preditivo significativo da SPS sobre a intenção da autocompaixão (β = .23, p < .001), bem como sobre a intenção (β = .30, p < .001), a tolerância ao sofrimento (β = .20, p < .001) e a ação da compaixão pelos outros (β = .11, p < .05), após o controlo do género e do diagnóstico clínico. Os resultados destacam o papel diferencial da SPS nos processos compassivos, sugerindo uma associação com maior predisposição motivacional para a compaixão — tanto dirigida aos outros como a si próprio — que nem sempre se acompanha de níveis elevados de comportamentos compassivos concretos, em particular no domínio da autocompaixão. As limitações metodológicas e as implicações para a investigação e prática clínica são igualmente discutidas. ! Sensory-processing sensitivity (SPS) is a temperamental trait characterized by deeper processing of stimuli, high emotional reactivity, and heightened interpersonal sensitivity. Despite advances in research on this construct, its relationship with compassionate processes—namely self-compassion and compassion for others—remains underexplored. The present study aimed to analyze the relationship between SPS, self-compassion, and compassion for others, as well as to explore the predictive role of SPS regarding these variables and their dimensions. The sample consisted of 430 adults from the Portuguese population (76.7% women), aged between 18 and 78 years (M = 31.46; SD = 13.99). Participants completed an online questionnaire that included the Highly Sensitive Person Scale—Revised Version (HSPS-R) and the Compassionate Motivation and Action Scales (CMAS), in their self-compassion and compassion-for-others versions. The results revealed statistically significant differences in levels of SPS and compassion for others based on gender, with women showing higher scores on both variables. Significant correlations were also found between SPS and the dimensions of compassion for others—intention (r = .29, p < .001), tolerance of distress (r = .18, p < .001), and action (r = .12, p < .05)—as well as between SPS and the intention dimension of self-compassion (r = .28, p < .001). Hierarchical linear regression analyses confirmed the significant predictive role of SPS regarding the intention for self-compassion (β = .23, p < .001), as well as the intention (β = .30, p < .001), distress tolerance (β = .20, p < .001), and compassionate action toward others (β = .11, p < .05), after controlling for gender and clinical diagnosis. The results highlight the differential role of SPS in compassionate processes, suggesting an association with a greater motivational predisposition for compassion—directed toward both others and the self—that is not always accompanied by high levels of concrete compassionate behaviors, particularly in the domain of self-compassion. Methodological limitations and implications for research and clinical practice are also discussed.
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Modelo Multivariado Explicativo da Sintomatologia da Perturbação de Stresse Pós-traumático em Vítimas de Violência nas Relações de Intimidade: memórias emocionais de experiências precoces, emoções autoconscientes e dissociação peritraumática
(ISMT, 2026-07) Fortuna, Margarida de Oliveira; Carvalho, Teresa (Orientadora)
Introdução: A violência nas relações de intimidade (VRI) representa um problema de saúde pública mundial devido à sua elevada prevalência e sérias consequências a nível mental e físico. A perturbação de stresse pós-traumático (PTSD) é frequente em vítimas de VRI, exigindo estratégias preventivas e tratamentos eficazes. Objetivos: Desenvolver e analisar um modelo multidimensional explicativo da sintomatologia da PTSD em vítimas de VRI, considerando os seguintes potenciais preditores: memórias emocionais de ameaça, submissão e desvalorização na relação com pais/cuidadores durante a infância/adolescência, traços de vergonha e de culpa generalizadas, traços de vergonha externa e interna, frequência dos estados de vergonha e de culpa durante as experiências de VRI (emoções autoconscientes), falta de consciência e despersonalização/desrealização peritraumáticas. Método: Estudo transversal com duas amostras independentes não-probabilísticas de adultos recrutados na comunidade portuguesa, equiparadas em idade, escolaridade e sexo biológico e compostas por 193 vítimas de VRI e 204 participantes sem experiências de VRI. Foram administrados instrumentos de autorresposta. Resultados: As vítimas de VRI diferenciaram-se dos participantes sem VRI, relativamente à sintomatologia da PTSD e à totalidade dos seus potenciais preditores, exceto em relação às memórias de subordinação precoce, tendo estas sido excluídas do modelo de regressão linear múltipla (RLM). Nas vítimas de VRI, a idade e os potenciais preditores anteriormente selecionados correlacionaram-se com os sintomas da PTSD. Foram eliminadas as memórias de subordinação, os traços de culpa generalizada e de culpa interna e a falta de consciência peritraumática por terem apresentado coeficientes de correlação indicadores de colineariedade. Idade, memórias de ameaça precoce, traço de culpa generalizada, traço de vergonha interna, frequência dos estados de vergonha durante as experiências de VRI e desrealização/despersonalização peritraumática predisseram individualmente os sintomas da PTSD, tendo sido selecionadas como covariáveis da RLM. Este modelo explicou 48% da variância total dos sintomas da PTSD e mostrou que maiores valores de memórias de ameaça precoce, de traço de culpa generalizada, de traço de vergonha interna e de despersonalização/desrealização peritraumática, explicaram significativamente maior sintomatologia da PTSD em vítimas de VRI. Discussão: Os resultados forneceram evidências para a clínica e para a investigação sobre a relevância de considerar o efeito explicativo conjunto das memórias de ameaça precoce na relação com os pais/cuidadores, do traço de culpa generalizada, do traço de vergonha interna e dos estados de despersonalização/desrealização peritraumática na presença de sintomas da PTSD em vítimas de VRI. | Introduction: Intimate partner violence (IPV) represents a global public health problem due to its high prevalence and serious mental and physical consequences. Post-traumatic stress disorder (PTSD) is frequent among IPV victims, requiring effective preventive strategies and treatments. Objectives: To develop and analyze an explanatory multidimensional model of PTSD symptomatology in IPV victims, considering the following potential predictors: emotional memories of threat, submissiveness, and devaluation in the relationship with parents/caregivers during childhood/adolescence; generalized shame and guilt traits; external and internal shame traits; frequency of shame and guilt states during IPV experiences (self-conscious emotions); and peritraumatic lack of awareness and depersonalization/derealization. Method: A cross-sectional study was conducted with two independent, non-probabilistic samples of adults recruited from the Portuguese community, matched for age, education, and biological sex, consisting of 193 IPV victims and 204 participants without IPV experiences. Self-report instruments were administered. Results: IPV victims differed from participants without IPV regarding PTSD symptomatology and all its potential predictors, except for early memories of subordination, which were excluded from the multiple linear regression (MLR) model. In IPV victims, age and the previously selected potential predictors correlated with PTSD symptoms. Early memories of subordination, generalized guilt and internal guilt traits, and peritraumatic lack of awareness were eliminated due to correlation coefficients indicating collinearity. Age, early memories of threat, generalized guilt trait, internal shame trait, frequency of shame states during IPV experiences, and peritraumatic derealization/depersonalization individually predicted PTSD symptoms and were selected as covariates for the MLR. This model explained 48% of the total variance in PTSD symptoms and showed that higher values of early memories of threat, generalized guilt trait, internal shame trait, and peritraumatic depersonalization/derealization significantly explained greater PTSD symptomatology. Discussion: The results provided clinical and research evidence regarding the relevance of considering the joint explanatory effect of early memories of threat in the relationship with parents/caregivers, generalized guilt trait, internal shame trait, and peritraumatic depersonalization/derealization states in the presence of PTSD symptoms among IPV victims.
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O Espelho Digital: vergonha e apreço corporais como mediadores da relação entre a adição às redes sociais e a preocupação com a aparência online
(ISMT, 2026) Lagos, Eduarda Gonçalves; Simões, Joana (Orientadora)
Objetivos: O presente estudo teve como objetivo principal analisar o papel mediador da vergonha corporal e do apreço corporal na relação entre a adição às redes sociais e a preocupação com a aparência nas redes sociais. Adicionalmente, procurou explorar as associações entre estas variáveis e analisar diferenças em função do sexo numa amostra de adultos portugueses. Método: A amostra foi constituída por 332 adultos portugueses, sendo 202 (60,8%) do sexo feminino e 129 (38,9%) do sexo masculino, com idades entre os 18 e os 64 anos (M = 31,77; DP = 11,25). Os participantes responderam a um questionário sociodemográfico e às versões portuguesas da Social Media Addiction Scale (SMAS), Body Image Shame Scale (BISS), Body Appreciation Scale-2 (BAS-2), e Social Media Appearance Preoccupation Scale (SMAPS). Os dados foram analisados através de estatísticas descritivas, testes t de Student, correlações de Pearson e análise de trajetórias. Resultados: A adição às redes sociais, a vergonha corporal e as diferentes dimensões da preocupação com a aparência nas redes sociais apresentaram correlações positivas entre si, e negativas com o apreço corporal. As mulheres apresentaram níveis superiores de vergonha corporal, preocupação com a autoapresentação e comparação da aparência online, enquanto os homens evidenciaram maior apreço corporal. A análise de trajetórias revelou que a vergonha e o apreço corporais mediaram parcialmente a relação entre a adição às redes sociais e a preocupação com autoapresentação e a comparação da aparência online. Relativamente às atividades online relacionadas com a aparência, apenas a vergonha corporal apresentou um efeito mediador significativo. Conclusões: A utilização problemática das redes sociais associa-se a maiores preocupações com a aparência em contexto digital, sendo esta relação parcialmente explicada por níveis mais elevados de vergonha corporal e menores níveis de apreço corporal. Estes resultados reforçam a importância de considerar simultaneamente fatores de vulnerabilidade e de proteção da imagem corporal, informando a definição de estratégias de prevenção e intervenção psicológica. | Objectives: The main objective of the present study was to analyze the mediating role of body shame and body appreciation in the relationship between social media addiction and social media appearance preoccupation. Additionally, it sought to explore the associations between these variables and to examine sex differences in a sample of Portuguese adults. Method: The sample consisted of 332 Portuguese adults, including 202 (60.8%) females and 129 (38.9%) males, aged between 18 and 64 years (M = 31.77; SD = 11.25). Participants completed a sociodemographic questionnaire and the Portuguese versions of the Social Media Addiction Scale (SMAS), Body Image Shame Scale (BISS), Body Appreciation Scale-2 (BAS-2), and Social Media Appearance Preoccupation Scale (SMAPS). Data were analyzed using descriptive statistics, Student’s t-tests, Pearson correlations, and path analysis. Results: Social media addiction, body shame, and the different dimensions of social media appearance preoccupation were positively correlated with one another and negatively correlated with body appreciation. Women reported higher levels of body shame, online self-presentation concerns, and online appearance comparison, whereas men showed higher levels of body appreciation. Path analysis revealed that body shame and body appreciation partially mediated the relationship between social media addiction and both online self-presentation concerns and online appearance comparison. Regarding appearance-related online activities, only body shame showed a significant mediating effect. Conclusions: Problematic social media use is associated with greater appearance-related concerns in digital contexts, and this relationship is partially explained by higher levels of body shame and lower levels of body appreciation. These findings highlight the importance of simultaneously considering both vulnerability and protective factors related to body image, informing the development of prevention and psychological intervention strategies.
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Sensibilidade ao Processamento Sensorial e Solidão: papel mediador da autocompaixão
(ISMT, 2026-07) Andrade, Joana Filipa Gonçalves; Pires, Cláudia (Orientadora)
A solidão é uma experiência subjetiva dolorosa e multidimensional que afeta o bem-estar psicológico e a regulação emocional. No entanto, no âmbito das diferenças individuais, importa compreender de que forma traços temperamentais e neurobiológicos intrínsecos, como a sensibilidade ao processamento sensorial (SPS), bem como formas de relação interna como a autocompaixão, poderão influenciar esta experiência. O presente estudo teve como objetivo analisar o papel mediador das componentes da autocompaixão e compaixão (intenção compassiva, tolerância ao sofrimento e ação compassiva) na relação entre a SPS e a solidão. A amostra foi constituída por 413 participantes da população residente em Portugal (77% mulheres), com idades compreendidas entre os 18 e os 78 anos (M = 31.72; DP = 14.04). Os participantes responderam a um questionário online que incluía a Escala da Sensibilidade ao Processamento Sensorial (HSPS), as Escalas de Motivação e Ação Compassiva (CMAS) e a Escala de Solidão da UCLA – Versão 3. Os resultados das análises correlacionais revelaram que a pontuação total da SPS se correlacionou de forma positiva e estatisticamente significativa com a solidão (r = .20, p < .001). A análise detalhada das dimensões demonstrou que as subescalas de maior vulnerabilidade da SPS, designadamente a reatividade emocional e a suscetibilidade à sobrestimulação, apresentaram associações positivas mais acentuadas com a solidão (r = .32, p < .001), correlacionando-se negativamente com os fatores protetores da autocompaixão, como a tolerância ao sofrimento (r = −.25, p < .001). Nos modelos de mediação testados, controlando o género e a presença de diagnóstico clínico, observou-se que a tolerância ao sofrimento mediou parcialmente a relação entre a reatividade emocional e suscetibilidade à sobrestimulação e a solidão (b = .10, IC 95% [.04, .17]). Adicionalmente, os dados do modelo relativo à intenção compassiva demonstraram que a motivação e abertura para contactar com o sofrimento desempenham um papel protetor determinante, reduzindo indiretamente os níveis de isolamento e o impacto da sobrestimulação sensorial na experiência de solidão. Os resultados deste estudo destacam que os subcomponentes da SPS produzem impactos diferenciados no ajustamento socioemocional, evidenciando a importância de promover competências de regulação, aceitação emocional e motivação compassiva na prática clínica. As limitações e implicações clínicas são igualmente discutidas. | Loneliness is a painful and multidimensional subjective experience that affects psychological well-being and emotional regulation. However, within the scope of individual differences, it is important to understand how intrinsic temperamental and neurobiological traits, such as sensory processing sensitivity (SPS), as well as forms of internal relating such as self-compassion, may influence this experience. The present study aimed to analyze the mediating role of self-compassion and compassion components (compassionate intention, distress tolerance, and compassionate action) in the relationship between SPS and loneliness. The sample consisted of 413 participants residing in Portugal (77% women), aged between 18 and 78 years (M = 31.72; SD = 14.04). Participants completed an online questionnaire that included the Highly Sensitive Person Scale (HSPS), the Compassionate Motivation and Action Scales (CMAS), and the UCLA Loneliness Scale – Version 3. Results from correlational analyses revealed that the total SPS score correlated positively and statistically significantly with loneliness (r = .20, p < .001). A detailed analysis of the dimensions showed that the subscales representing greater vulnerability in SPS, namely emotional reactivity and susceptibility to overstimulation, presented stronger positive associations with loneliness (r = .32, p < .001), while correlating negatively with protective factors of self-compassion, such as distress tolerance (r = −.25, p < .001). In the tested mediation models, controlling for gender and the presence of a clinical diagnosis, distress tolerance was found to partially mediate the relationship between emotional reactivity/susceptibility to overstimulation and loneliness (b = .10, 95% CI [.04, .17]). Additionally, data from the model regarding compassionate intention demonstrated that the motivation and openness to engage with suffering play a crucial protective role, indirectly reducing levels of isolation and the impact of sensory overstimulation on the experience of loneliness. The findings of this study highlight that SPS subcomponents produce distinct impacts on socio-emotional adjustment, emphasizing the importance of promoting regulation skills, emotional acceptance, and compassionate motivation in clinical practice. Limitations and clinical implications are also discussed.